Semana de “Mergulho no Oceano da Divina Ternura”

Queridos irmãos, queridas irmãs,
Ao concluir esta semana, não poderia deixar de refletir com vocês a minha gratidão ao Pai celeste, pelo dom da sua imensa riqueza, de nos envolver, em sua Ternura Divina.
“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo leve” (Mt 11,28-30).
Com esse convite, Jesus nos convida a todos, a fazer a experiência da Divina Ternura. Vivemos num mundo em que na mesma proporção dos bens e benefícios que oferece, também nos mergulha num cansaço e abatimento, com conseqüente perda do sentido de viver. É num ambiente assim, que Jesus se coloca ao lado dos cansados e pequenos, e antes, de convidá-los a nadar no oceano da Divina Ternura, louva ao Pai, pela capacidade que possuem em abrir o coração e a vida ao dom de Deus, que se manifesta na pessoa do Verbo encarnado, Jesus, o Filho de Deus. De fato, isso é motivo de muita alegria e júbilo para Jesus como para cada um de nós. Daí o grito do profeta Zacarias na primeira leitura (Zc 9,9-10), “Exulta, cidade de Sião, Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem o teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva” (v.9). Esses versículos do profeta e do texto evangélico me enchem de profunda confiança e alegria no meu encontro com os pobres e enfermos cheios de cansaço. Eles nos recebem em suas casas com muita alegria no coração. Dá para perceber no rosto de cada um, que Jesus leva alegria e conforto para eles no sacramento da Unção dos enfermos. Aprendo muito com essa passagem do evangelho. Sou testemunha do alívio que o Senhor proporciona a cada um deles. Com eles, me vejo nadando no oceano da infinita e Divina Ternura. No sofrimento, vejo como eles matam o procedimento carnal (2ª leitura, Paulo aos Romanos (8,9. 11-13) e começam a viver vida nova no Espírito, unidos ao Senhor).

Segunda-feira
“Eis que eu a vou seduzir, levando-a a solidão, onde lhe falarei ao coração...” (Oséias 2,16. 17b-18.21-22). Grande é o sonho de Deus em relação ao seu povo. Mesmo resistindo a tanto amor, Deus permanece sempre fiel a sua aliança. Por isso procura, convida, pois quer celebrar a reconciliação. O deserto é o melhor lugar. Aí somente Deus nos fala, ao que responderemos “como nos dias da nossa juventude,...” (v.17b), isto é, pondo nele nossa confiança e seguindo-o rumo a vida nova. Por tudo isso que o senhor faz por nós lhe respondemos com o salmista “Misericórdia e piedade é o senhor, Ele é amor, é paciência e compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura” (Sl 144/145, v.8.9).
Com a cura da mulher que sofria de hemorragia e a ressurreição da filha de Jairo, mas uma vez Jesus se coloca diante da dor e sofrimentos do homem e da mulher, levando-os ao oceano da Divina Ternura, onde se encontra a vida plena.
Terça-feira
Jesus, diante do homem mudo que estava possuído pelo demônio, revela aos fariseus a ternura do Pai para com a humanidade sofredora (Mt 9,32-38), “percorrendo todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo tipo de doênça e enfermidade” (v.35). A ternura divina quer ir ao encontro de todos e cada um. Os pobres a reconhecem ao passo que os poderosos “preferem às trevas à luz” (Jo 1-5). Mas mesmo diante de tanta infidelidade (1ª leitura Os 8,4-7.11-13), a Divina Ternura continua respondendo com absoluta fidelidade e amor.

Quarta-feira
Como é belo o jeito de Deus revelar seu amor de Pai, isto é, sua Ternura Divina por cada um de nós. Desde o dia em que Deus elegeu Israel como seu povo, se comportou para com ele como um pai, que acolhe no colo o filho e lhe faz experimentar todos os toques de sua paterna ternura. Mas ao crescer, esse filho infelizmente, e isso acontece com freqüência na vida das nossas famílias, bem como no nosso relacionamento com Deus, busca tornar-se independente do amor do pai e assume uma atitude de aventuras pelo mundo. Imaginemos que foi isso que aconteceu na parábola do Pai misericordioso (Lc 15). Uma mãe pode esquecer seu filho, mas a Ternura Divina procura nos alcançar antes de sermos consumidos pelos vermes da morte.
Muito bonito é o salmo de hoje (salmo 104,2-7), “Buscai constantemente a face do Senhor”.
Hoje, 09 de julho, celebramos aqui em nossa Igreja matriz às 10:00 hs da manhã, a solene eucaristia em comemoração ao dia de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, cuja relíquia se encontra sob o altar mor da nossa Igreja Matriz.
Em Santa Paulina descobrimos a mulher que se deixou envolver pela Divina Ternura. Ainda longe de nossa pátria, nem sequer podia imaginar o que a Divina Ternura estava gestando em seu coração e em sua vida. Nem imaginava que ao deixar a sua pátria aos 10 anos de idade, seus pés já estavam sendo acariciados pelo toque da Divina Ternura, a fim de ser entre nós, mensagem da Divina Ternura.
Dela podemos dizer que soube responder ao chamado divino com ternura divina e de mulher, tornando-se junto aos pobres, mensagem evangélica das bem-aventuranças.
A sua relíquia, sob nosso altar, é sinal do seu amor a Deus e aos irmãos. Sua relíquia aqui em Riversul nos ensina que o céu não está distante da gente, a ele se chega pelo caminho da abnegação que desabrocha no amor.
Quinta-feira

“Tomei-o em meus braços,... Eu os atraia com laços de humanidade, com laços de amor” (Os 11,3. 4).
Chamados e enviados pela Divina Ternura (Mt 10,7-15), o discípulo e missionário de Jesus se encontra ao longo da viagem com muitas pessoas carentes de ternura. Por isso mesmo, o Senhor os chama e envia confiando-lhes a mensagem que devem anunciar: “Em vosso caminho, anunciai: O Reino dos céus está próximo”(v. 7). Vemos assim que a missão é caminho e caminhada. É estrada sem fim, que parte do coração da Divina Ternura até chegar a ternura do nosso coração. Nas mais variadas situações humanas: cansaço, doênças, dor, morte, manifestar a presença do Reino, inclusive na forma de vida dos missionários.

Sexta-feira 11 de Julho
A Ternura Divina em São Bento

Tocado pela Divina Ternura e “Deixando a casa e os bens paternos e querendo agradar somente a Deus, partiu em busca da vida de monge” (ant. 1ª Vésperas).
Hoje, beneditinos, cistercienses e todos quantos militam sob a regra de São Bento, nos alegramos com a festa de nosso pai. Sim, são Bento é pai, porque soube ouvir a voz do Senhor e como bom pai, não quis reservar para si essa descoberta, mas partilhá-la com outros que logo foram se colocando ao seu lado na condição de discípulos.
Verdadeiramente são Bento foi um sinal da Ternura Divina numa época de grandes contrastes e motivações contrárias aos valores humanos e evangélicos. Vemos assim, que, Deus responde a cada momento de crise colocando um sinal da sua Ternura. Para mim, ou melhor, para nós, são Bento foi esse sinal da Ternura Divina. Com seu desejo de procurar a Deus e só a ele encontrar, ofereceu uma grande contribuição na organização do monaquismo ocidental, tornando-se, não somente pai dos monges, mas pai de uma nova cultura para a Europa e o mundo. Sua regra ainda hoje é fonte de inspiração de vida cristã, como também de educação para a vida. Penso que são Bento precisa ser redescoberto. A visão que ele tem de mundo, pessoa e sociedade, precisa ser recuperada na cultura contemporânea. De fato, são Bento é o homem evangélico que organiza o mosteiro como a cidade das bem-aventuranças. Por isso, o mosteiro é para ele, “uma escola do serviço do Senhor”(Prol. 45), onde o discípulo é chamado a escutar: “Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes pelo labor da obediência, àquele de quem te afastastes pela desídia da desobediência”(Prol.1.2). Aquele que ouve o chamado e procura o mosteiro para buscar verdadeiramente a Deus, deve estar consciente de querer militar sob uma regra e um abade (RB. 1) cultivando diariamente o zelo bom para com todos os irmãos. “Exerçam, portanto, os monges este zelo com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em honra” (RB 72,3-4). O mosteiro é na visão de são Bento, lugar onde se formam verdadeiros discípulos que com seu testemunho, fecundam o mundo com valores evangélicos do amor e da paz. O mosteiro é caminho que parte do coração do Pai na direção dos irmãos. O mosteiro é cidade onde deve brilhar a luz de Cristo pela caridade no amor serviçal a vida dos irmãos.

Pe. Basílio J. Ilton Alves, O. Cist.
Monge e Presbítero da Abadia N. Sra da Santa Cruz de Itaporanga – SP.
Diocese de Itapeva – SP.
Pároco da Paróquia Bom Jesus de Riversul – SP.


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